Concerto com Joe McPhee, Chris Corsano em Musicbox - Lisboa 12 de Março 2010
Sexta, 12 de Março 2010
Sobre
JOE MCPHEENascido em Miami em 1939, aos 8 anos tocava trompete. A partir de finais dos anos 1960 iniciou-se numa grande variedade de instrumentos (todo o tipo de saxofones, clarinete, trombone, piano). Influenciado por John Coltrane, Albert Ayler e Ornette Coleman (figura essencial no arranque do seu percurso), Joe McPhee é um dos mais relevantes espíritos livres e transgressores da forma e do vocabulário do jazz e de áreas que ele mesmo ajudou a tornar adjacentes.
Colaborando desde cedo com músicos com preocupações estéticas e espirituais semelhantes, em direcção ao desconhecido e ao vibrante, trabalhou com a nata do jazz mais esclarecido norte-americano e europeu, assim como com a vanguarda da música electrónica dos anos '70, caso da Deep Listening Band de Pauline Oliveros, pioneira da música contínua.
O currículo de McPhee conta com mais de meia centena de álbuns, entre os quais muita obra em seu nome próprio na editorai de jazz HatHut, fundada precisamente para lançar a sua música. Trabalhou com uma lista interminável de artistas seminais da música das últimas quatro décadas, sendo hoje, tanto ou mais do que no passado, um barómetro dos novos terrenos por onde o jazz caminha.
CHRIS CORSANO
Uma das grandes marcas das músicas criativas do início do século XXI é, ao contrario das fusões jazz-rock dos anos 70, um encaixe amadurecido, profundamente miscigenado entre o free-jazz dos anos 60 e os vocabulários libertinos com alinhamento espiritual irmão. Vimos o rock, a psicadélia ou o minimalismo fundirem-se com os verbos de John Coltrane e Albert Ayler, criando novas avenidas lexicais de expressão não cartografada.
Chris Corsano, baterista, será talvez o primeiro exemplo verdadeiramente acabado desta música total. Colaborador de gente tão distinta quanto Paul Flaherty, Thurston Moore ou Björk, conseguiu desenvolver uma linguagem percussiva de extraordinária amplitude e recursos. Tanto pode gerar uma narrativa de êxtase permanente, levando o grito eterno dos saxofonistas e sopradores dos 60s à sua consequência lógica - um uivo supremo contínuo, como pode ter invenção para nos maravilhar com ressonâncias e com as possibilidades plásticas e acústicas das peles do seu instrumento. Capaz de interagir em variadíssimos 'settings' criativo e vocabulares (o seu interesse por várias formas de músicas é bem alargado), nunca deixa de ser profundamente afirmativo e de impôr a sua linguagem, mas sendo um absoluto e carismático virtuoso, é também dos mais nobres e generosos improvisadores de hoje.
Joe McPhee e Chris Corsano encontram-se então para a sua primeira série conjunta de datas na Europa, depois de um concerto único na Escócia, no festival Subcurrent, em 2006.
Site oficial www.joemcphee.com
Myspace www.myspace.com/chriscorsano